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Isolamento pode aumentar em 74% as chances de evento adverso

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A pandemia de covid-19 tornou mais comum a existência de pacientes hospitalizados e isolados nos hospitais. Isso ocorreu como consequência direta do comportamento altamente transmissível do vírus. Esse cenário nos leva a questionar quais seriam os impactos negativos, ou consequências não intencionais, na segurança do paciente quando o mesmo é colocado em isolamento. Um estudo observacional do tipo coorte (1) – que foi realizado antes do início da pandemia pelo novo coronavírus – avaliou se havia maior incidência de eventos adversos naqueles pacientes internados sob isolamento.

Conduzido em um hospital universitário público da Espanha, o estudo mediu as evoluções de 400 pacientes, sendo que metade estava em isolamento e a outra metade não, e sugere que o isolamento pode aumentar em 74% as chances de eventos adversos.

Os resultados apontam que a incidência de eventos adversos entre pacientes isolados foi de 18,5% enquanto que nos pacientes não isolados foi de 11%. Outro ponto relevante é que, no estudo, os eventos adversos além de estarem associados a aumento no tempo de internação, também foram atrelados a um maior número de fatores de risco extrínsecos envolvendo, por exemplo, sonda vesical, cateter venoso periférico, nutrição parenteral, sonda nasogástrica, terapia imunossupressora e aumento da quantidade de medicamentos em uso. Essa associação é bastante plausível, uma vez que tais fatores, quando presentes, aumentam os riscos dos pacientes.

Detalhes sobre os eventos adversos nos dois grupos

Trinta e três pacientes isolados tiveram 37 eventos adversos, 67,6% evitáveis. Entre eles, 13 tiveram o tempo de internação prolongado e quatro vivenciaram uma readmissão. Entre todos os eventos adversos, 48,65% foram considerados leves, 43,24% moderados e 8,11% graves.

Enquanto isso, 19 pacientes não isolados tiveram 22 eventos adversos, 52,6% evitáveis. Entre eles, somente seis tiveram, como resultado destes eventos, aumento no tempo de internação. Nesses pacientes, dos 22 eventos detectados, 50% foram leves, 40,91% foram moderados e 9,09% foram graves.

Importante ressaltar que de todos os eventos adversos detectados (tanto nos pacientes isolados e quanto nos não isolados), a maioria estava atrelada a infecções relacionadas à assistência à saúde. Porém, nos pacientes isolados, a segunda principal causa de eventos adversos foram complicações assistenciais como, por exemplo, quedas, lesões por pressão e distúrbios eletrolíticos. Já nos pacientes não isolados, a segunda principal fonte de eventos adversos foram os medicamentos.

O que leva a essa diferença e como evitar o pior?

Entre aquilo que é discutido no estudo está o fato de que o isolamento pode impactar o comportamento dos profissionais da saúde ao aumentar o medo e a preocupação dos profissionais em se expor a uma contaminação, impactando na qualidade da assistência. Além disso, um paciente isolado exige cuidados extras que podem sobrecarregar as equipes, reduzindo o tempo de dedicação exclusiva aos cuidados assistenciais.

Na visão de Lucas Zambon, diretor científico do IBSP, esse estudo é um bom exemplo para discussões sobre fatores humanos. “Ao estudarmos comparativamente pacientes com ou sem precauções para isolamento, observando que a incidência de eventos adversos é maior nos isolados, devemos avaliar o que pode estar associado a essa maior incidência”, explica, enfatizando que além de mapear o perfil dos pacientes e riscos aos quais estão expostos (o que inclui dispositivos invasivos e medicamentos), é importante entender aspectos de fator humano. “O estudo traz ideias dentro de sua discussão, mas teria sido muito interessante ter a medida de carga de trabalho comparada entre os grupos de pacientes e questionários que avaliassem comportamentos dos profissionais de saúde. Assim, poderíamos elevar o grau de certeza sobre o impacto desses aspectos, o que poderia suscitar novos estudos com intervenções direcionadas”, conclui.

Referência:

(1) Higher incidence of adverse events in isolated patients compared with non-isolated patients: a cohort study

 

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