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Lesão por pressão – Qualidade do indicador reflete na qualidade do cuidado

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Como sempre enfatizamos, “o que não pode ser medido, não pode ser melhorado”. Quando o assunto é lesão por pressão – um dos principais danos evitáveis e indesejáveis na assistência à saúde – a construção de indicadores de qualidade é primordial para avaliar o desempenho das medidas preventivas e buscar, sempre, a melhoria.

Construir uma intervenção complexa para prevenir essas lesões é um desafio, já que envolve múltiplos componentes. Não é aceitável, por exemplo, apenas dedicar esforços às medidas individualizadas como avaliação de risco, inspeção da pele, reposicionamento e uso de superfícies de apoio. Também é necessário observar fatores organizacionais como ambiente de trabalho, cultura, equipes e lideranças.

Até porque há indícios de que a ocorrência de uma lesão por pressão está mais associada a uma falha do sistema como um todo do que à falha específica de uma ação ou de um profissional.

Indicadores são medidas padronizadas que produzem dados quantitativos relacionados ao desempenho de uma atividade, porém, para que sejam eficientes, esses indicadores precisam ter qualidade, caso contrário, os dados gerados não serão confiáveis.

De acordo com a Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ), para melhorar as medidas de prevenção das lesões por pressão, é necessário monitorar (1):

  • Incidência de lesões por pressão e taxas de prevalência
  • Processos de cuidado
  • Infraestrutura para apoio às melhores práticas

Mas existe uma infinidade de indicadores sendo utilizados pelo mundo, o que pode tornar a definição de quais adotar mais difícil. Para entender esses processos, uma revisão sistemática (2) mapeou indicadores para prevenção de lesões por pressão de bancos de dados alemães, ingleses e norte-americanos a fim de compreender quais seriam os mais relevantes.

Foram selecionados 146 indicadores durante o estudo. Confira abaixo algumas percepções interessantes:

  • 2/3 dos indicadores foram desenvolvidos para hospitais, ambiente de saúde onde realmente há alta incidência de lesões por pressão. Porém, considerando que casas de repouso que acolhem idosos e hospitais de longa permanência recebem pacientes com muitas deficiências funcionais – fator de risco para lesão por pressão – o fato de termos poucos indicadores para prevenção nesses ambientes é surpreendente. Outro ponto detectado na revisão é que faltam indicadores para a atenção pediátrica.
  • A maioria dos indicadores mede a incidência de lesões por pressão. Porém, é preciso enfatizar que além da subnotificação, há muitas falhas tanto no diagnóstico quanto na classificação dessas lesões, o que pode fazer com que o indicador não gere dados de fato confiáveis. Para a garantia de resultados realmente relevantes, é preciso combinar metodologias de medição. Como exemplo, podemos citar a obtenção de dados pela rotina hospitalar somados aos dados advindos de uma auditoria.
  • Depois dos indicadores de incidência, vieram os indicadores de avaliação de risco de lesão por pressão. Porém, existem escalas de avaliação de risco já padronizadas e consolidadas que podem atuar nesse sentido. Entre as escalas podemos mencionar a Escala de Braden e a Escala de Waterlow.
  • Interessante observar que mais de 1/3 dos indicadores de prevenção parecem não ser utilizados na prática e os objetivos de qualidade não foram relatados. Também é importante compreender que faltam padrões de desempenho e valores de referência para esses indicadores.

Assim, a revisão sugere que existem muitos indicadores sendo utilizados, o que representa a necessidade de medir a qualidade da prevenção de lesões por pressão, mas faltam evidências empíricas sobre a qualidade e a confiabilidade dos indicadores.

Essa falta de evidências não significa que esses indicadores não funcionam. Apenas remonta ao fato de que é preciso investir mais nos estudos e nas avaliações para obtenção de medidas que contribuam com padrões e definição de qualidade para essas ações.

Referências:

(1) Preventing Pressure Ulcers in Hospitals – How do we measure our pressure ulcer rates and practices?

(2) Measuring the quality of pressure ulcer prevention: A systematic mapping review of quality indicators

 

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