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Manter os produtos para saúde sujos em ambiente úmido antes do processamento impacta no resultado?

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Com o intuito de analisar se a deterioração dos materiais para a saúde pode estar atrelada a características do ambiente, um estudo publicado no Journal Hospital Infection testou uma seleção de instrumentos cirúrgicos (como fórceps e agulhas de irrigação) contaminados com sangue humano e armazenados por 6, 12 e 24 horas antes do processamento em dois padrões de ambiente: em condições secas e em condições úmidas. Posteriormente, esses mesmos instrumentos foram reavaliados após 1, 25 e 50 ciclos de processamento.

Importante destacar que não há, hoje na literatura, instruções precisas sobre como criar um ambiente úmido ideal para transportar e armazenar os instrumentos. Para o estudo, então, o ambiente úmido foi desenhado colocando os materiais para saúde em uma caixa de transporte fechada coberta com gaze de algodão umedecida em água estéril. Para os testes em ambientes secos, os materiais foram embalados em caixas de transporte destampadas.

Após avaliar os resíduos identificados nos instrumentos armazenados em duas condições distintas, o estudo sugere que não há associação entre o ambiente de armazenamento e a quantidade de resíduos encontrados nos materiais para a saúde após os ciclos de reprocessamento, visto que a concentração média de resíduos de proteína foi de 25,3 μg nos ambientes secos e de 25,8 μg nos úmidos. No quesito corrosão, o mesmo cenário se desenhou: não houve diferença estatisticamente relevante nos achados entre ambientes secos e úmidos.

Porém, o estudo detectou uma associação estatisticamente significativa entre o tempo de espera para o processamento e os resíduos nos instrumentos, bem como no comparativo entre diferentes números de ciclos realizados. Mas, ainda assim, essas associações não são consideradas clinicamente relevantes, visto que mesmo a concentração mais alta de resíduos está bastante abaixo do limite aceito pelas normas.

Como funciona no Brasil

O estudo – que foi conduzido na Dinamarca – reforça que as diretrizes nacionais e internacionais recomendam que os instrumentos cirúrgicos sejam transportados e armazenados em ambiente úmido e que o reprocessamento seja iniciado imediatamente após a cirurgia para evitar que os resíduos sequem, impactando a qualidade do reprocessamento.

Porém, as avaliações não encontraram associação entre o ambiente e a quantidade de resíduo ou o nível de corrosão, o que desafia a recomendação atualmente seguida.

No Brasil, o processamento de materiais para a saúde é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio da RDC nº 15/2012, que dispõe sobre requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para a saúde; e a RE nº 2.606/2006, que trata da elaboração, validação e implantação de protocolos de reprocessamento de produtos médicos. Nenhuma das duas resoluções aponta detalhes sobre o ambiente ser úmido ou seco.

Referências:

(1) Can a humid storage environment of surgical instruments before reprocessing increase patient safety and durability of instruments?

(2) RESOLUÇÃO – RDC Nº 15, DE 15 DE MARÇO DE 2012

(3) RESOLUÇÃO – RE Nº 2.606, DE 11 DE AGOSTO DE 2006

 

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