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Mapeamento de processos em saúde – Investimento que amplia segurança e qualidade

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Se o objetivo do mapeamento de processos é a melhor compreensão de sistemas complexos, por qual motivo existem tão poucos estudos e pesquisas sobre a aplicação dessa abordagem na área da saúde, segmento onde muitas das falhas estão atribuídas a erros processuais?

Em abril de 2021, uma (1) revisão sistemática buscou definir uma estrutura conceitual que delineia critérios de qualidade para orientar a implementação, avaliação e notificação do mapeamento de processos no setor saúde. Foram revisados estudos publicados e benefícios relatados.

Interessante observar que os estudos envolviam mapeamento de processos realizados em: serviços de internação, ambulatório, cuidados comunitários, atenção primária, prevenção e promoção da saúde, serviços laboratoriais entre outros ambientes assistenciais. A maioria dos projetos era dedicada à melhoria dos processos utilizando ferramentas como o FMEA, ou métodos como Lean e Six Sigma.

Detalhamos essa revisão, trazendo os pontos mais relevantes, que inclusive podem servir como base para revisão da forma como é feito o mapeamento de processos de sua instituição. Confira abaixo.

Critérios para todas as fases do mapeamento de processos

1. Preparação, planejamento e identificação do processo
a) Identificação plena dos prestadores de serviço e pacientes ou usuários
b) Treinamento das equipes para uso das ferramentas do mapeamento de processos
c) Envolvimento de um representante do paciente no projeto

2. Coleta de dados e informações
a) Coleta de informações para basear os exercícios do mapeamento de processos

3. Geração do mapa de processo
a) Reunião de diferentes opiniões e perspectivas de todos os envolvidos

4. Análise
a) Análise do mapa de processo
b) Inclusão de informações adicionais coletadas durante o exercício e a análise
c) Transferência de todas as anotações em papel para um software
d) Validação do mapa final por todas as partes envolvidas

5. Ações após o mapeamento
a) Inclusão de outras ações baseadas no conhecimento adquirido ao longo do processo e teste de novas melhorias

Nenhum estudo avaliado atingiu a conformidade geral para todos os critérios nas cinco fases existentes, o que sugere que ainda há um potencial a ser ampliado no uso desta ferramenta em instituições de saúde. Mesmo assim, foram identificados benefícios da aplicação do mapeamento de processos em iniciativas de melhoria na saúde em três áreas distintas:

  1. Compreensão dos sistemas locais: o mapeamento permitiu que os participantes tivessem uma visão mais aprimorada dos processos utilizados pela instituição, o que mostra que essa ação ajuda a quebrar a complexidade característica do setor saúde e ajuda as equipes a também enxergar os problemas sistêmicos existentes.
  2. Informações de escopo, desenho, desenvolvimento e avaliação das intervenções: identificar restrições e oportunidades auxilia na avaliação das áreas onde estão concentrados os problemas e no desenvolvimento de soluções de melhoria baseadas em evidências.
  3. Coprodução e troca de conhecimento: há grande utilidade no mapeamento de processos no engajamento de todos os envolvidos na implementação de potenciais mudanças positivas. Há, também, uma possível ampliação da cultura de segurança por aumentar o senso de responsabilidade para tornar o serviço melhor.

Por fim, a revisão demonstra que o mapeamento de processos é utilizado para melhorar a qualidade e a segurança em diferentes ambientes de saúde, concentrando-se em ferramentas de melhoria da qualidade e assumindo uma metodologia independente.

Referência:

(1) Process mapping in healthcare: a systematic review

 

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