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No ambiente hospitalar, farmacêuticos atuam para melhor assistência e maior segurança

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Diante de um cenário de assistência em saúde que cada vez mais fortalece a necessidade da atenção multidisciplinar para ampliar a segurança do paciente e a qualidade dos atendimentos, o farmacêutico ganha relevância. Na assistência farmacêutica hospitalar, esse profissional pode atuar em duas frentes principais: farmácia clínica e farmácia hospitalar.

Segundo a Resolução nº 585/2015 do Conselho Federal de Farmácia (CFF), farmácia clínica é a área da especialidade voltada à ciência e prática do uso racional de medicamentos, na qual os farmacêuticos prestam cuidado ao paciente de forma a aperfeiçoar a farmacoterapia, promover saúde e bem-estar, e prevenir doenças (1). Há, inclusive, uma cartilha (2) elaborada pelo CRF-SP e divulgada em 2019 que traz detalhes sobre as áreas de atuação do profissional, as atribuições dessa especialidade, as atividades que podem ser desenvolvidas e as boas práticas.

É possível compreender o crescimento da relevância desse profissional no ambiente hospitalar acompanhando um estudo (3) que, realizado na Bahia, relatou a experiência da atuação farmacêutica na prática clínica através de intervenções realizadas. Para isso, foram analisados dados de uma instituição privada de Salvador entre 2012 e 2014. Nesse período, foram realizadas 2.346 intervenções, sendo que as mais frequentes foram conciliação medicamentosa, necessidade de tratamento adicional e necessidade de mudança de aprazamento.

Porém, uma das observações mais relevantes apontadas pela pesquisa foi o crescimento do número de intervenções ao longo dos anos. Em 2012, quando o acompanhamento foi iniciado, foram realizadas 206 intervenções; em 2013 foram feitas 925 intervenções; e, em 2014, 1.215 intervenções. Além disso, do total de intervenções no período, 88% foram aceitas pela equipe assistencial. Segundo relatado pelos pesquisadores, esse aumento está atrelado ao maior reconhecimento da importância do profissional no ambiente hospitalar, o que levou à contratação de mais farmacêuticos e capacitação contínua nas unidades clínicas.

Ainda pensando na atuação do profissional no ambiente hospitalar, artigo nacional (4) verificou a percepção e a prática do farmacêutico sobre o registro das atividades clínicas em um hospital geral de nível terciário de Porto Alegre (RS). Com uma amostra de 27 profissionais – a maioria jovem, com até 35 anos, e formada em instituições privadas –, constatou que os farmacêuticos reconhecem a importância e a necessidade de registrar suas atividades clínicas, no entanto, o registro não ocorre devido à inexperiência prática, sobrecarga de atividades, necessidade de elaboração de políticas institucionais e capacitação desses profissionais.

Na farmácia hospitalar, uma das importantes atividades desse profissional nos hospitais diz respeito ao armazenamento e distribuição dos medicamentos. Documento (5) divulgado pela Organização Panamericana da Saúde (PAHO) reforça que essa atividade, que integra a assistência farmacêutica, é essencial para assegurar a qualidade dos fármacos, que precisam ser mantidos sob as condições ideais; o controle do estoque e a disponibilidade aos pacientes. Por isso, deve ser uma atividade estratégica, envolta em procedimentos escritos, normas a serem seguidas, controle e avaliação por indicadores de desempenho e qualidade.

Outro ponto de atenção dentro da farmácia hospitalar está nos medicamentos de alta vigilância, ou seja, aqueles que têm risco aumentado de provocar danos significativos aos pacientes caso haja falha nos processos de utilização. É o caso de anticoagulantes, sedativos, hipoglicemiantes, radioconstrastes e antineoplásicos.

Dentro desse contexto, publicação (6) da filial brasileira do Institute for Safe Medication Practices (ISMP) que traz a lista atualizada dos medicamentos potencialmente perigosos sugere que todos os profissionais envolvidos na administração medicamentosa – o que inclui os farmacêuticos hospitalares – devem conhecer os riscos associados ao uso desses medicamentos a fim de implantar barreiras especiais para prevenir erros e, por consequência, eventos adversos.

Entre as estratégias para prevenção de erros estão, por exemplo, a padronização da prescrição, a adoção de medidas de segurança para identificação e armazenamento (como etiquetas e rótulos auxiliares), adequações para sua dispensação e preparo seguros, implantação de sistema de suporte à decisão clínica com emissão de alerta automatizado, entre outras.

Educação continuada

Como forma de prover conhecimento técnico sobre a especialidade, o IBSP oferta o Curso Autoinstrucional Farmácia Hospitalar e Clínica. Quem se inscrever terá acesso a uma grade curricular que envolve toda a atuação do farmacêutico no ambiente hospitalar. Entre os temas abordados no curso estão a legislação inerente à profissão, incluindo as resoluções do CFF; detalhes sobre interação com a equipe multiprofissional; atribuições; procedimentos e melhores práticas; e informações sobre os avanços tecnológicos que auxiliam no desempenho profissional. Clique AQUI para saber mais.

Referências:

(1) Resolução nº 585/2015 do Conselho Federal de Farmácia (CFF)

(2) Cartilha – Farmácia Clínica – 2ª edição – CRF-SP

(3) Realização de Intervenções Farmacêuticas por Meio de uma Experiência em Farmácia Clínica

(4) Farmácia Clínica em Ambiente Hospitalar: Enfoque no Registro das Atividades

(5) Armazenamento e distribuição: o medicamento também merece cuidados

(6) Boletim ISMP Brasil – Volume 8 – Número 3

 

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