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O que a COVID-19 ensinou sobre segurança do paciente?

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Em artigo publicado pelo jornal HealthManagement, Donna Prosser, diretora clínica geral da PSMF (Patient Safety Movement Foundation), trouxe alguns apontamentos sobre os principais aprendizados da pandemia de COVID-19 no aspecto da segurança do paciente. Entre eles, a necessidade de investimentos na mudança de cultura organizacional para um ambiente mais seguro e de alta confiabilidade, mesmo diante de tantas dificuldades.

Lembrando que o novo coronavírus colocou a saúde sob enormes holofotes expondo, inclusive, suas falhas, a especialista traçou um comparativo com a evolução de outros setores que, nas últimas décadas, se desenvolveram muito no quesito segurança como, por exemplo, a indústria de energia nuclear e a aviação. Para ela, na área da saúde estamos resistindo a aderir a conceitos de segurança, o que torna o paciente mais suscetível a erros e riscos.

Com a crise de saúde instalada no mundo inteiro, as dificuldades se somaram. De um lado, gestores e líderes tiveram de enfrentar desafios em todas as vertentes, desde aspectos financeiros até a necessidade de lidar com a alta quantidade de mortos. De outro lado, o paciente ganhou ainda mais voz e conhecimento e passou a exigir atendimento melhor e mais seguro. Com base nesse novo cenário que se construiu, Donna reforça: “não temos mais escolha a não ser iniciar o árduo trabalho de adotar uma cultura de segurança ao mesmo tempo em que se gerencia os atuais entraves de recursos”.

O debate sobre segurança do paciente tomou corpo quando, em 1999, foi publicado o relatório “Errar é Humano”, do Institute of Medicine (IOM) dos Estados Unidos. Desde então, muitas mudanças foram impostas para tornar os ambientes de saúde menos arriscados para quem busca atendimento. Mas mesmo duas décadas após esse impulsionamento gerado pelo documento, há ainda muita dificuldade.

E é essa dificuldade, na opinião da executiva da PSMF, que faz com que muitas organizações ainda não estejam investindo esforços em transformar suas culturas internas.

Pensando historicamente, o primeiro ponto que Donna derruba em seu artigo é a figura do médico como ator principal do atendimento, onde não há espaço para questionamentos e as equipes devem seguir o que julgam ser melhor para o paciente, sem ouvir o que de fato o próprio paciente pensa a respeito daquelas decisões.

O segundo ponto atacado pela diretora diz respeito à cultura do medo, quando os profissionais de saúde eram encorajados até mesmo a não redigir relatórios de incidentes para não expor o erro e, assim, não serem punidos.

O terceiro ponto está na discussão sobre ser ou não ser possível chegar ao “erro zero”. Para ela, por entender que o erro acontece e vai continuar acontecendo, muitas equipes se empenharam em trabalhar diretrizes para tratar a consequência do erro, deixando, de lado, o estudo para reduzir o risco. Remediar em vez de impedir que aconteça.

Acreditando que sem sanar todas essas raízes dos problemas a prática pode nunca melhorar, ela elenca três outros pontos críticos que precisam ser priorizados: cultura de segurança centrada nas pessoas; estrutura holística de melhoria contínua; e modelo de sustentação.

O passo a passo para a segurança

Para trazer confiabilidade – e consequentemente uma cultura de segurança fortalecida – as organizações de saúde devem se atentar a alguns passos, todos descritos no artigo assinado por Donna. São eles:

  • Fazer uma avaliação honesta para que todos os membros da equipe estejam alinhados na busca pela cultura de segurança;
  • Investir em um clima organizacional de respeito, honestidade e confiança para que todos se sintam seguros em relatar falhas inclusive analisando se há profissionais com comportamentos disruptivos tóxicos (temos um texto sobre esse assunto disponível no portal, clique AQUI para ler);
  • Reduzir a complexidade do ambiente de trabalho para que todos tenham acesso às melhores práticas e estejam alinhados nos processos estabelecidos pela organização;
  • Apostar em indicadores de melhoria e utilizar, de fato, esses indicadores para balizar novos processos.

Concluindo seu raciocínio, Donna frisa que cada organização tem suas demandas internas e particularidades e que o líder precisa sair da sua zona de conforto, frequentando a linha de frente, a fim de compreender os reais desafios diários dos seus times. “Uma equipe de liderança unida que apoia seus médicos e respeita a opinião dos pacientes consegue cumprir essa meta com mais facilidade e sucesso”, finaliza a executiva.

Referências:

(1) Future of Patient Safety: What We’ve Learned from the Pandemic

 

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