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Pediatria – Eventos adversos na emergência

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Um estudo de coorte prospectivo realizado no Canadá e publicado no The British Medical Journal examinou, ao longo de um ano, desfechos dos pacientes que foram atendidos na ala de emergência de um pronto-socorro pediátrico. A intenção era estimar quais os principais eventos adversos nessa população, qual a gravidade deles e como evitá-los.

Primeiramente é preciso lembrar que a assistência às crianças já traz desafios diferentes da assistência aos adultos. Além da medicação ter de ser baseada no peso, quando muito pequenos esses pacientes podem não conseguir expressar com clareza o que estão sentindo, o que pode impactar no diagnóstico e na definição do tratamento. Somado ao cenário da emergência, onde muitos pacientes chegam ao longo do todo o dia em condições diferentes e no qual os profissionais de saúde precisam lidar com interrupções frequentes, observar esses desfechos e quais os eventos adversos mais comuns é indispensável para a melhor segurança dos pacientes.

Para a análise, o estudo acompanhou durante três semanas 1.319 crianças com idade média de 4,3 anos que foram atendidas no departamento de emergência de um hospital pediátrico de Ottawa (Canadá). A instituição recebe em seu pronto-atendimento cerca de 70 mil visitas todos os anos.

Como desfecho primário, foram listados os pacientes que experimentaram um evento adverso na emergência dentro de 21 dias após a visita ao hospital. Os desfechos secundários incluíram a proporção de pacientes que experimentaram um evento adverso evitável; aqueles cujos eventos adversos foram relacionados ao atendimento do provedor versus o atendimento do serviço especializado; os tipos dos eventos; a gravidade; e a resposta do sistema.

De todos os 1.319 casos acompanhados, o estudo apontou que 33 (2,5%) experimentaram um evento adverso relacionado aos cuidados recebidos no departamento de emergência e nenhum vivenciou mais do que um evento. Desse montante, 29 eventos foram considerados evitáveis e 16 ocorreram dentro de 72 horas da visita ao pronto-socorro. Dessa forma, uma a cada 40 crianças atendidas na emergência pediátrica sofreu eventos adversos, sendo que a maioria deles eram evitáveis.

Os tipos mais comuns de eventos adversos foram problemas de manejo, problemas de diagnóstico e acompanhamento abaixo do ideal. Como consequência, a maioria dos eventos resultou apenas em prolongamento dos sintomas, porém ocorreram dois eventos adversos graves associados à deficiência não permanente e ambos envolviam diagnósticos tardios que exigiram internação e tratamento prolongados. Embora a maioria dos eventos não tenha sido grave, quase metade dos pacientes que vivenciaram um evento adverso precisaram de uma nova intervenção médica (ou cirúrgica) para controlar o incidente: 12 tiveram de visitar um médico, 15 voltaram ao pronto-atendimento e 5 precisaram de internação.

Importante observar que, segundo a publicação, um outro estudo que utilizou metodologia semelhante, porém para avaliar a população adulta, apontou taxas de eventos adversos na emergência variando de 3% a 6%. Os pesquisadores atrelam a incidência menor (2,5%) nas crianças ao fato de que esses pacientes têm menos comorbidades do que os adultos. Além disso, reforçam que a alta taxa de evitabilidade pode estar relacionada ao ambiente mais conturbado da emergência.

Casos e exemplos para melhor compreensão:

Evento adverso não evitável – Paciente, sexo feminino, 4 anos, apresentando disúria e polaciúria há dois dias. Exame de urina positivo para nitritos, com presença de leucócitos e hemácias. Diagnóstico de infecção do trato urinário e tratamento iniciado com cefalexina oral. Paciente desenvolve erupção cutânea urticariforme com coceira após dois dias, retornando aos seus cuidados primários. Com a descontinuação dos medicamentos, a erupção remite em dois dias. Nesse caso, a gravidade do evento adverso foi mais de um dia de sintomas, a resposta ao sistema foi uma nova visita ao médico, e o serviço responsável foi o departamento de emergência.

Evento adversos evitável – Paciente, 7 anos de idade, histórico de asma, apresenta dificuldade respiratória moderada, sibilância inspiratória e expiratória, saturação de oxigênio a 90%. Tratamento com inalação com salbutamol e brometo de ipratrópio, além de dexametasona oral. Recebeu alta uma hora após concluir a inalação sem ter sido documentado nenhum exame de reavaliação. Paciente retorna à emergência duas horas após a saída com dificuldade respiratória acentuada, necessitando de cuidados na sala de reanimação. Nesse caso, a gravidade do evento adverso foi menor ou igual a um dia de sintomas, a resposta do sistema foi a readmissão hospitalar e o serviço responsável foi a emergência.

Referências:

(1) Adverse events in the paediatric emergency department: a prospective cohort study

 

 

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