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Profissionalismo em saúde e os impactos na qualidade da assistência

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Profissionalismo. O termo tem sido muito utilizado no setor de saúde para questionar as atitudes dos profissionais perante os cenários que vão se desenhando. Durante a pandemia de covid-19, por exemplo, o setor de saúde foi muito aplaudido, já que a crise exigiu muito desses trabalhadores que se mantiveram firmes a fim de garantir o atendimento populacional.

Mas o que, de fato, caracteriza o profissionalismo no setor da saúde?

De acordo com o Conselho Americano de Especialidades Médicas (ABMS), “profissionalismo médico é um sistema de crenças sobre a melhor forma de organizar e prestar cuidados de saúde”.

Essa descrição, mencionada em um estudo norte-americano (1), é uma boa base para a avaliação de questões voltadas a essa temática. Além disso, o texto cita que o profissionalismo deve servir para garantir que os profissionais sejam dignos da confiança que lhes é conferida pelos pacientes e, portanto, exige que esses trabalhadores, como um grupo, estejam prontos, dispostos e capazes de se reunir para atuar em conjunto de forma ética e respeitosa.

Renomado no segmento, John Michael McWilliams, professor de Políticas de Cuidados de Saúde da Fundação Warren Alpert na Harvard Medical School, concedeu uma entrevista ao NEJM Catalyst (2) sobre como o setor de saúde vem negligenciando o profissionalismo médico (porém, podemos ampliar essa discussão para todos os trabalhadores da saúde). Na visão dele, o profissionalismo – embutido no conhecimento por eles adquirido e em sua motivação para ajudar pacientes – é um dos mais fortes pilares para a melhoria da assistência.

E é justamente por esse motivo que sistemas de saúde – e gestores – devem direcionar esforços para compreender esse conceito e atuar para melhor aproveitar o profissionalismo de tantos trabalhadores dispostos a colaborar.

Porém, quando se pensa nesse assunto, é comum que venha à mente, o sistema de recompensa. Em seus depoimentos, McWilliams fala sobre a questão dos modelos de pagamento, outro tema muito debatido na realidade de saúde privada brasileira. Segundo o especialista, o profissional de saúde pode ter sim sua motivação influenciada por incentivos financeiros, porém a melhoria da qualidade não pode depender exclusivamente dessa ação.

Como exemplo de ação paralela, o professor sugere a criação de uma infraestrutura para melhorar a consciência coletiva, já que investir no profissionalismo dos médicos não se resume a aprimorar o conhecimento e a motivação individuais, mas sim apoiar movimentos que impulsionem mudanças organizacionais.

Do ponto de vista educacional, setor em que o IBSP tem ampla expertise, uma das formas é ofertar mentorias e treinamentos em grupos, garantindo a qualificação e a ampliação do conhecimento de toda a equipe multidisciplinar.

Dentro de tudo isso, não há como ignorar uma questão que se tornou ainda mais emergente nos últimos meses: os profissionais de saúde já estão esgotados, principalmente após a vivência da pandemia de covid-19, e a ideia de melhor aproveitar o profissionalismo não deve cansá-los ainda mais, mas sim torná-los mais felizes e realizados no ambiente de trabalho.

Do outro lado

Todas essas visões são coletadas e analisadas dentro da estrutura médico-hospitalar. Mas, e o público final? Qual a visão deles sobre o profissionalismo da saúde?

Um estudo do Reino Unido entrevistou virtualmente 953 pessoas sobre atributos profissionais. Foram questionados muitos cenários que iam desde o respeito pelo paciente e pela confidencialidade das informações, até pontualidade. Como resultado, foram encontrados três pilares principais que baseiam o profissionalismo na visão do público:

  • Atendimento ao paciente
  • Relacionamento com os colegas de trabalho
  • Relação com a sociedade

Um ponto importante e que merece destaque nesse estudo é que, aparentemente, o público não associa profissionalismo à posição social, aspectos físicos ou produção de riqueza. De forma geral, o que o estudo nos diz é que a comunidade reconhece o profissionalismo pelo bom comportamento, valores elevados e atitudes positivas tanto na prestação de cuidados em saúde, quanto em termos de cidadania.

Referências:

(1) More Than a List of Values and Desired Behaviors – A Foundational Understanding of Medical Professionalism

(2) Clinician Professionalism: “Out of the Box” Thinking to Improve Care Quality

(3) Medical professionalism: what does the public think?

 

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