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Qual a influência da presença de familiares, amigos e companheiros durante o parto?

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Com o intuito de compreender qual a influência da presença de companheiros, amigos e familiares durante o parto, um estudo realizado nos Estados Unidos em 2014 conduziu entrevistas com 20 mulheres cisgênero, de 18 a 49 anos, sobre suas experiências. Na sequência, as narrativas foram analisadas para compreensão do papel dos entes queridos nesses momentos.

Para cada participante, foram feitas as seguintes perguntas:

  • Quem estava com você durante o parto?
  • Se você pudesse fazer de forma diferente, quem você gostaria que estivesse presente e por quê?

No momento da entrevista, dez participantes afirmaram estar em um relacionamento e quatro estavam casadas. Além disso, todos os partos ocorreram no hospital, 68% deles foram partos vaginais.

O estudo define o acompanhamento durante o parto como a presença física de um familiar no ambiente, na sala de cirurgia ou na sala de espera durante todo o trabalho de parto até o nascimento.

Dados sobre o acompanhamento

Dos 20 nascimentos relatados, todas as gestantes foram acompanhadas por pelo menos um familiar, sendo que o mais comum é a presença do parceiro íntimo ou da mãe.

O estudo aponta três narrativas importantes sobre o acompanhamento das gestantes durante o parto: duas enfocam a influência positiva dessas presenças e a terceira traz uma carga aparentemente negativa.

  1. A presença de familiares pode fornecer sensação de segurança

Por mais que as mulheres estejam confortáveis e satisfeitas com a assistência clínica, serem acompanhadas por conhecidos é reconfortante. Um ponto apresentado pelo estudo está na importância de ouvir e atender aos desejos da mulher, que pode querer a presença de algumas pessoas durante o trabalho de parto, mas no nascimento pode preferir mais privacidade selecionando apenas um indivíduo para acompanhá-la.

Além disso, a presença de algum membro da família também soa como uma testemunha sobre todos os procedimentos que estão sendo realizados, tornando-se um processo de segurança em caso de maus tratos ou danos. Mesmo assim, o estudo reforça que muitas vezes tanto a gestante quanto seus acompanhantes não se sentem confortáveis em questionar os médicos. Esse fator está relacionado à posição de poder que a medicina exerce sobre os outros setores da sociedade.

  1. A presença de parceiros íntimos pode representar responsabilidade compartilhada pela gravidez

Algumas entrevistadas reforçaram que a presença de seus parceiros íntimos tanto no parto tem um significado diferente. A percepção é a de que ao estarem juntos, assumem a responsabilidade conjunta pela gravidez, buscando um futuro comum. A presença do companheiro representa apoio, segurança e desejo de compartilhar a experiência da parentalidade, o que não pode ser dividido com nenhum outro membro da rede de apoio.

Além disso, no campo contrário, a ausência do companheiro pode levar a um sentimento de vergonha, visto que grande parte das outras mulheres que se encontram na mesma situação estão acompanhadas por seus parceiros íntimos.

  1. Algumas grávidas podem ter de lidar com as emoções e as experiências de seus acompanhantes

Algumas das entrevistadas se mostraram preocupadas com os seus companheiros de parto e em como eles lidariam com essa situação diferente e com as emoções extremas, colocando mais foco no outro do que em si mesmas.

Dia Mundial da Segurança do Paciente – Cuidado Materno e Neonatal Seguros

O Dia Mundial da Segurança do Paciente é comemorado em 17 de setembro e, para 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o tema a ser trabalhado é “Cuidado materno e neonatal seguros”.

Dentro dessa vertente, a Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) lançou a Aliança para o Parto Seguro e Respeitoso, uma união de mais de 30 entidades – entre elas o Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP) – na busca pela redução da mortalidade materna e neonatal e pela garantia dos direitos básicos para o parto e o nascimento seguros no nosso país.

Contribuindo com a disseminação de conhecimento técnico-científico sobre diretrizes, protocolos e boas práticas que garantem a segurança tanto da mãe quanto do bebê ao nascer, o IBSP publicará durante todo o mês de setembro, matérias relativas a essa temática. Para acessar todos os conteúdos já publicados, clique AQUI.

Referências:

(1) “Going through it together”: Being accompanied by loved ones during birth and abortion

#partoseguro

 

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