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Qualidade do atendimento obstétrico é essencial para o desfecho bem-sucedido do parto

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O desafio de segurança do paciente na saúde é manter o paciente no centro do cuidado. O Projeto Parto Adequado coloca a mulher como foco principal da assistência e, com isso, reduz riscos e mortalidade materna e do recém-nascido

A melhoria da qualidade na atenção obstétrica passa, essencialmente, pela mudança no atendimento à mulher durante o parto. Isso porque atendê-la bem durante o trabalho de parto, respeitando suas vontades e limites, é fundamental para o desfecho bem-sucedido do parto.

 

“Porém não é a única medida. Um pré-natal bem realizado tem a mesma importância. A paciente deve realizar todos os exames exigidos pela OMS, como as oito consultas de pré-natal no mínimo, bem como a primeira visita ao obstetra deve ser antes de completar as 12 primeiras semanas de gestação”, diz a Dra. Gyanna Mansani Busato Guerra, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela UFPR, com Especialização em Reprodução Assistida pelo instituto GERA SP, e Ginecologista e Obstetra no Hospital São Luiz São Paulo.

E respeitar a mulher na hora do parto inclui também incluí-la na escolha do parto normal ou de uma cesariana. “Precisamos derrubar o mito de que a cesariana é mais segura e que o parto normal é sempre um procedimento de dor e sofrimento é um dos caminhos da reeducação da população”, diz o Dr. Silvio Guidi, advogado, sócio da área de Healthcare do VG&P, especialista em ética médica, coordenador do Boletim ONA Legal.

O parto normal deve ser a primeira escolha desde que não exista nenhuma contraindicação obstétrica. Em comparação com a cesariana, o parto normal apresenta menor risco de complicações tanto para a mãe como para o recém-nascido. “Claro que cada caso deve ser individualizado e discutido entre o obstetra e a paciente”, salienta o a Dra. Gyanna.

Parto adequado

A partir do momento que a paciente está bem orientada sobre os riscos e benefícios de cada um dos métodos, ela deve sim fazer parte da decisão da via de parto. Lembrando que, segundo as novas regras do CFM, o médico pode realizar cesárea eletiva a pedido da gestante desde que esse procedimento ocorra a partir da 39ª semana de gestação.

“É fundamental derrubar o mito de que o parto normal apresenta mais riscos para a paciente e recém-nato do que a cesárea. Uma fobia ou uma rejeição ao parto normal torna-se um obstáculo para o sucesso do parto”, diz Dr. Silvio. “Durante o trabalho de parto, principalmente no período expulsivo, a parturiente precisa ter participação ativa, estando ou não com analgesia. Nos casos em que as pacientes são obrigadas a realizar um parto normal, mesmo contra sua vontade, o número de distócias e desfechos ruins são muito mais altos”, explica a médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

E é exatamente por isso que a reeducação da população com relação ao parto normal é tão necessária. Ela diminuirá tanto a morbidade quanto a mortalidade materna, já que o parto normal apresenta uma taxa de complicações menor que a cesariana.

Parto normal: um caminho natural

A OMS recomenda que a taxa de cesárea fique entre 10-15% dos partos. O Brasil está bem longe dessa meta. Somos o segundo país com maior percentual de partos realizados por cesárea do mundo (55,6%). Como o projeto parto adequado da ANS engloba 42 maternidades, das quais oito estão entre as 30 com maior volume de parto do país e 12 entre as 100 maiores, os índices de partos via cesariana sem indicação tendem a diminuir.

A reeducação com relação aos benefícios do parto normal é um caminho natural para a diminuição das cesarianas sem indicações. “Essa diminuição será resultante de uma reeducação da população com relação ao trabalho de parto, mostrando os benefícios do parto normal, bem como a importância do pré-natal”, acredita o Dr. Silvio.

Uma estrutura de atendimento adequada nos hospitais também é fundamental para contribuir para a diminuição das cesarianas sem indicação. Por exemplo, de nada valerá um bom pré-natal, se os registros no prontuário da paciente não chegarem ao conhecimento do obstetra no momento do parto.

Mudança cultural e desafios

Com o aumento do número de partos vaginais bem-sucedidos e pacientes satisfeitas, essa cultura de que a cesariana é mais segura tende a acabar. “No fim das contas, a mudança cultural deve ser informativa e não impositiva. Ou seja, a paciente deve ter em mãos o maior número de informação possível para decidir qual a espécie de parto que deseja. Além disso, deve haver estrutura adequada para que a escolha da paciente, parto normal ou cesárea, seja viável”, pontua o Dr. Silvio. “Da mesma maneira, quando a escolha for impossível, em vista de o quadro clínico indicar um único método, a estrutura hospitalar deve ser também suficiente”, complementa.

O desafio de segurança do paciente na saúde em geral é manter o paciente no centro do cuidado. O Projeto Parto Adequado também coloca a mulher como foco principal da assistência. Isso significa que a gestante e o recém-nascido estão no foco principal do projeto. “O que observamos com a redução do índice de cesarianas sem indicação é uma diminuição proporcional de complicações maternas e internações de recém-nascidos em UTI neonatais”, avalia a Dra. Gyanna. “Se levarmos em conta que 25% dos óbitos neonatais no Brasil são relacionados à prematuridade, e que cesarianas sem indicação aumentam a chance de prematuridade, concluímos o quão importante é este projeto para a saúde do nosso País”, finaliza a médica.

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