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Rastreamento para diabetes tipo 2 – EUA atualizam suas recomendações

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Segundo pesquisa Vigitel 2019 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) publicada pelo Ministério da Saúde, 7,4% dos brasileiros têm diabetes (1). Porém, essa porcentagem pode ser bastante superior. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, até metade das pessoas que têm a doença ainda não foram diagnosticadas (2).

Nos Estados Unidos estima-se que 13% de todos os adultos tenham diabetes, sétima principal causa de morte e, por lá, 21,4% dos norte-americanos com doença, ainda não sabem que a têm.

Diante desse cenário, o país investiu na atualização das diretrizes (3) de triagem de adultos assintomáticos para pré-diabetes e diabetes tipo 2 com o objetivo de melhorar as ações para prevenção e os desfechos de saúde da população.

Entre os fatores de risco listados estão: sobrepeso e obesidade, idade avançada, histórico familiar, histórico de diabetes gestacional, síndrome do ovário policístico, fatores dietéticos e estilo de vida. Além disso, há fortes associações entre a prevalência de diabetes e fatores sociais como status socioeconômico, ambiente alimentar e físico.

Para a triagem, a indicação de exames envolve glicose plasmática de jejum, teste de hemoglobina glicada e teste oral de tolerância à glicose (TOTG).

Nos resultados:

São indicativos de diagnóstico de diabetes tipo 2

  • glicemia plasmática de jejum de 126mg/dl ou superior;
  • nível de hemoglobina glicada de 6,5% ou superior
  • glicemia duas horas após sobrecarga de glicose de 200mg/dl ou superior.

São indicativos de pré-diabetes

  • glicemia plasmática de jejum entre 100 e 125mg/dl;
  • nível de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%;
  • glicemia duas horas após sobrecarga de glicose entre 140 e 199mg/dl.

Anteriormente, a recomendação era que o rastreamento dos níveis anormais de glicose no sangue estivesse incluído na avaliação de risco cardiovascular de pacientes entre 40 e 70 anos com sobrepeso ou obesidade. Porém, agora, o país recomenda o rastreamento de pré-diabetes e diabetes tipo 2 em adultos de 35 a 70 anos com sobrepeso ou obesidade.

Com resultados considerados dentro dos parâmetros normais, as diretrizes sugerem uma triagem a cada três anos. Com resultados indicativos de pré-diabetes, são necessárias intervenções no estilo de vida do paciente, com alterações na dieta, inclusão de atividade física e utilização de metformina, ações apontadas como eficazes para prevenção e retardamento da progressão para o diabetes de fato. A maioria dos estudos levantados para a construção da nova diretriz mostram que intervenções no estilo de vida estão associadas à redução na progressão do diabetes.

Além disso, pesquisas mostram que o controle intensivo da glicose está associado a risco reduzido de mortalidade por todas as causas, incluindo óbitos em decorrência de diabetes, bem como infarto do miocárdio.

Porém, é importante observar que existem estudos que também questionam a eficiência do rastreamento quando o assunto é saúde mental, já que pode haver aumento de ansiedade entre as pessoas diagnosticadas, e danos também em intervenções farmacológicas na detecção da pré-diabetes (como eventos adversos gastrointestinais associados à metformina).

Qual o cenário brasileiro?

No Brasil, para pacientes assintomáticos, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) utiliza o mesmo critério dos Estados Unidos, ou seja, entender, para diagnóstico de diabetes, glicemia plasmática de jejum de 126mg/dl ou superior; nível de hemoglobina glicada de 6,5% ou superior; e glicemia duas horas após sobrecarga de glicose de 200mg/dl ou superior. No entanto, para confirmação do diagnóstico, dois exames devem se mostrar alterados. Quando apenas um exame apresentar anormalidades, ele deverá ser repetido (4).

Os níveis para pré-diabetes indicados pela SBD também são os mesmos da diretriz norte-americana: glicemia plasmática de jejum entre 100 e 125mg/dl; nível de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%; e glicemia duas horas após sobrecarga de glicose entre 140 e 199mg/dl.

Assim como nos EUA, no Brasil a recomendação é que os exames sejam feitos a cada três anos. Porém, segue mantida a recomendação para o rastreamento de todos os indivíduos com 45 anos ou mais, mesmo sem fatores de risco, e para aqueles com sobrepeso ou obesidade que tenham pelo menos um fator de risco adicional para diabetes tipo 2. Entre os fatores de risco listados no Brasil estão:

  • Histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro grau
  • Etnias de alto risco (afrodescendentes, hispânicos ou indígenas)
  • Histórico de doença cardiovascular
  • Hipertensão arterial
  • HDL menor que 35 mg/dl
  • Triglicérides maior que 250 mg/dl
  • Síndrome do ovário policístico
  • Sedentarismo
  • Presença de acantose nigricans
  • Pré-diabetes
  • Histórico de diabetes gestacional
  • HIV

Referências:

(1) Vigitel Brasil 2019 – Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico

(2) Números do Diabetes no Mundo

(3) Screening for Prediabetes and Type 2 Diabetes – US Preventive Services Task Force Recommendation Statement

(4) Diagnóstico do diabetes e rastreamento do diabetes tipo 2

 

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