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Segurança do paciente vai da escolha do sedativo à automatização de processos

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Desde a primeira anestesia utilizada no mundo em meados dos anos 1840, a ciência vem evoluindo na busca por soluções e processos mais seguros. Hoje são diversas as metodologias sedativas e a atividade não fica restrita ao anestesiologista, profissional que, inclusive, foi bastante impactado pela pandemia de COVID-19 e acabou por assumir muitas novas funções além do centro cirúrgico.

Quando o assunto é anestesia, são diversos os protocolos que implicam na minimização de riscos e, assim como em todo o ciclo de cuidado do paciente, reduzir sistematicamente possíveis falhas humanas é caminho pavimentado para melhoria da qualidade. Nesse sentido, o compartilhamento do conhecimento entre todos os membros da equipe multidisciplinar contribui para a melhor comunicação e eficiência tanto quanto a incorporação de tecnologias capazes de prover maior confiabilidade às atividades.

Na anestesiologia, a adesão a bombas de infusão alvo-controlada – equipamentos que têm incorporados em seus sistemas modelos farmacocinéticos correspondentes ao fármaco que será utilizado – promove segurança por possibilitar maior domínio da concentração plasmática, estabilidade do plano anestésico e previsibilidade no tempo de despertar. Importante lembrar que essas bombas de infusão alvo-controlada são dedicadas à anestesia e são diferentes das comumente usadas nas internações e nas unidades de terapia intensiva.

Ainda nessa direção, o uso de seringas pré-preenchidas em medicamentos de alto risco – que inclusive é uma recomendação do Conselho Europeu de Anestesiologia(1) – soa vantajoso. Isso porque ao substituir a ação humana de aspirar o medicamento manualmente, o trabalho é simplificado, e o risco de comprometimento da segurança diminuído. Entre as vantagens apontadas estão menor chance de falha na diluição do medicamento, trazendo concentrações maiores ou menores do que o indicado; de contaminações durante o manuseio; e de erros de rotulagem.

Em todo procedimento operatório há, também, amplo esforço para prevenir infecções. Em pacientes cirúrgicos internados em unidades de terapia intensiva, por exemplo, um estudo(2) publicado no início dos anos 2000 comparou a segurança e a eficácia do uso do propofol (fármaco sedativo e hipnótico de administração intravenosa para indução e manutenção de anestesia) com e sem um agente bacteriostático chamado EDTA (ácido etilenodiaminotetracético).

Na ocasião, foram avaliados 122 pacientes que necessitaram de intubação e ventilação mecânica e o estudo, apesar de entender a necessidade de amplificação das análises, sugere uma diminuição significativa de mortalidade nos casos em que foi utilizado propofol com EDTA no comparativo com o grupo que não utilizou a adição do conservante. Paralelamente, o uso dessa combinação não parece afetar a homeostase do cálcio ou magnésio, função renal e hemodinâmica, tampouco provocar mudanças quanto à profundidade da sedação.

Por fim, após todo o período perioperatório, é preciso garantir um despertar seguro e confortável para o paciente. Dessa forma, reduzir náusea e vômito no pós-cirúrgico também é meta para segurança. Mesmo que essas complicações não estejam diretamente atreladas a condições que colocam a vida em risco, são bastante indesejáveis. Estudo(3) de 2015 realizado na Alemanha indica que náuseas e vômitos afetam 30% dos pacientes que vivenciam uma cirurgia com anestesia e esse cenário compromete o bem-estar e atrasa a recuperação, já que interfere na ingestão oral de medicamentos e atrapalha o consumo de líquidos e de alimentos regulares.

Para esse despertar seguro, além da escolha do melhor sedativo para cada caso somada à todas as diretrizes de manutenção da anestesia – evitando que o paciente acorde no meio do procedimento ou que demore muito a acordar após o término dele – é possível investir em uma classificação de risco por meio de um sistema de pontuação, conforme descrito em estudo de 2015 realizado por especialistas indianos (4).

Nesse caso, é preciso levar em consideração todos os fatores que influenciam essas complicações, entre eles características do paciente (como gênero, histórico médico, tabagismo, obesidade e idade), questões pré-operatórias (como jejum e ansiedade); e intraoperatórias (como tipo de cirurgia, duração do procedimento, anestesia geral ou local).

** Essa matéria integra a série “Segurança na Anestesia e Sedação” que, patrocinada pela Aspen Pharma, traz uma sequência de conteúdos científicos sobre segurança do paciente crítico em uso de medicamentos de alto risco como os fármacos sedativos e anestésicos.

Referências:

(1) The European Board of Anaesthesiology recommendations for safe medication practice – First update

(2) Safety and efficacy of propofol with EDTA when used for sedation of surgical intensive care unit patients

(3) Postoperative nausea and vomiting — a narrative review of pathophysiology, pharmacotherapy and clinical management strategies

(4) Postoperative nausea and vomiting: A simple yet complex problem

 

 

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