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Sepse: os erros mais comuns no tratamento e diagnóstico

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Sepse: diagnóstico precoce e escolha correta do antibiótico são pontos mais suscetíveis a falhas no tratamento (Bigstock)
Sepse: diagnóstico precoce e escolha correta do antibiótico são pontos mais suscetíveis a falhas no tratamento (Bigstock)

Mais de 10% das mortes associadas à sepse poderiam ser evitadas se não houvesse atrasos no diagnóstico e erros no tratamento. O dado é resultado de um estudo que avaliou seis hospitais americanos e foi divulgado na semana passada em um dos jornais da Associação Médica Americana (1).

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Os pesquisadores analisaram as condutas em 300 mortes associadas a sepse e classificaram os casos de acordo com uma escala de possibilidade de evitar a morte. Em 20% das situações, eles consideraram que os pacientes não receberam o melhor cuidado possível, ainda que o tratamento adequado não fosse suficiente para salvá-los. Em uma análise que acompanha o levantamento, escrita por uma pesquisadora que não participou da pesquisa, o índice de mortes consideradas potencialmente evitáveis foi considerado pequeno. “Os casos avaliados no estudo vieram de três centros médicos acadêmicos altamente conceituados e de outros três hospitais afiliados a ele”, escreveu Laura Evans, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York (2). “Em hospitais com mais lacunas no atendimento à sepse, mais mortes podem ser evitáveis.”

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Os autores do estudo afirmam que o baixo número de mortes que seriam evitáveis não diminui a importância de medidas para melhorar a qualidade do atendimento, mas ressaltam que na, maior parte dos casos, a mortalidade está associada a comorbidades dos pacientes. Dos 300 pacientes que morreram, 21% tinham câncer, 15,3% doença cardíaca crônica, 10,3% câncer do tipo hematológico, 9,7% demência e 9% doença pulmonar crônica.

A sepse, resposta de inflamação exagerada do organismo a uma infecção, é um grave problema de saúde pública no mundo todo. Segundo dados do Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas), 25% dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil são ocupados por pacientes com a condição (3).

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Os números de dois levantamentos diferentes, realizados no Brasil, exemplificam a observação da americana Laura sobre como, via de regra, há mais espaço para melhorias no tratamento da sepse do que o demonstrado pelo novo estudo. O relatório de 2017 do Ilas, que compila dados de serviços que já integram um programa de melhoria de qualidade, mostra que 44,8% dos pacientes internados com sepse em hospitais públicos brasileiros morrem. Nos privados, o índice é de 22,3%. Já outra pesquisa, que abarcou uma realidade mais abrangente de serviços de saúde, revela um resultado pior: nos hospitais públicos, 56% morrem; nos privados, 55% (4).

A maior contribuição do estudo americano talvez seja apontar quais aspectos da conduta são mais suscetíveis a falhas. Os pesquisadores identificaram 42 erros em 36 mortes classificadas pela equipe como potencialmente evitáveis, ainda que a certeza de o quão evitáveis elas eram varie entre cada um dos casos. Dos 42 erros observados nas mortes possivelmente evitáveis,

23,8% foram na escolha do antibiótico errado;
21,42% no atraso do diagnóstico;
16,6% na demora para iniciar antibioticoterapia;
16,6% na demora em controlar a fonte da infecção;
7,1% foram complicações em procedimentos;
7,1% foram eventos adversos relacionados à medicação;
4,7% se referem a infecções adquiridas no hospital;
2,3% foram causados por monitoramento inadequado de sinais vitais.

Saiba Mais

(1) Rhee C, Jones TM, Hamad Y, et al. Prevalence, Underlying Causes, and Preventability of Sepsis-Associated Mortality in US Acute Care Hospitals. JAMA Netw Open. 2019;2(2):e187571.

(2) Evans L. A Closer Look at Sepsis-Associated Mortality. JAMA Netw Open. 2019;2(2):e187565. doi:10.1001/jamanetworkopen.2018.7565

(3) Relatório Nacional Protocolos Gerenciados de Sepse 2017. Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas)

(4) Machado, Flavia RZajac, S RZajac, S R et al. The epidemiology of sepsis in Brazilian intensive care units (the Sepsis PREvalence Assessment Database, SPREAD): an observational study. The Lancet Infectious Diseases, Volume 17 , Issue 11 , 1180 – 1189

 

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