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Três problemas e três desafios para a segurança do paciente

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Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade Federal de Minas Gerais desenharam um estudo sobre os desafios da prática na segurança do paciente no cumprimento das metas e objetivos listados no Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), instituído em 2013 no Brasil.

Com participação de 31 profissionais entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e aqueles atuantes em Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) de um hospital-escola com 116 leitos, o estudo trabalhou com três categorias: a realidade prescrita, recursos materiais e seu impacto no cuidado e a realidade relacionada aos recursos humanos.

No contexto da realidade prescrita, o estudo identificou protocolos em uso similares aos listados no PNSP, porém disponíveis apenas para o time de qualidade, e não para o time assistencial: lesão por pressão, cirurgia segura, identificação do paciente, higiene das mãos, terapia enteral e parenteral, além de administração de hemoderivados estavam aplicados. O protocolo de administração de medicamentos não existia, e a justificativa foi a de que o hospital não tinha farmácia clínica.

Outro ponto relevante é que o hospital não contava com ações e metas para ampliação da segurança do paciente, tampouco eram utilizados instrumentos para avaliar a incidência de eventos adversos e estratégias para redução desses eventos.

Nota-se, então, a ampla necessidade de investimento na cultura de segurança da instituição e de envolvimento de todo o time nas metas. Para isso, são necessárias ações educativas e de qualificação profissional, além de estratégias para engajamento dos times, principalmente dos enfermeiros que possuem amplo conhecimento técnico-científico e, na maioria das vezes, estão muito mais próximos dos pacientes.

Quanto aos recursos materiais e os impactos no cuidado, categoria que retrata as dificuldades de infraestrutura, os profissionais participantes relataram a falta de itens como grades nos leitos, cadeiras de rodas e macas, a ausência de campainha de comunicação e sinalização no leito, leitos inadequados e recursos precários. Um dos depoimentos listados no estudo, por exemplo, menciona o impacto direto da falta de infraestrutura na segurança do paciente. Ele diz “este mês colocaram uma velhinha em uma cama sem as grades e, ao ficar um pouco confusa, ela acabou caindo”.

Além da falta de investimento em equipamentos e recursos estruturais básicos, os profissionais de saúde observaram a ausência de manutenção preventiva naqueles recursos existentes. Assim, entende-se que o maior desafio nesse sentido está na melhor gestão hospitalar para trazer investimentos e melhorias estruturais.

No que tange aos recursos humanos, destacaram-se reclamações quanto a redução do quadro de funcionários, sobrecarga de trabalho, estresse, atraso nos salários, baixa remuneração e alta rotatividade de profissionais. Tudo isso, na visão dos respondentes, impacta a segurança do paciente. Além dos relatos, a observação de campo confirmou que naquele hospital, muitos enfermeiros prestavam atendimento em mais de uma unidade de internação, atendendo cerca de 30 pacientes no turno.

Assim, é preciso reconhecer que a falta de valorização profissional desencadeia insatisfação com o trabalho e, por consequência, alta rotatividade e sobrecarga para os que permanecem.

Por fim, o estudo traz uma lição importante de que a assistência segura depende da compreensão das metas listadas no Programa Nacional de Segurança do Paciente, mas não somente isso, e sim da criação de estratégias e ações para alcançá-las. Além disso, enfatiza a importância do investimento em infraestrutura física e em recursos humanos, pois esses são fatores que têm impacto direto na segurança do paciente.

Referência:

(1) Practice challenges in patient safety

 

 

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