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Vacinação contra a covid-19 – Quanto tempo dura a imunidade após a segunda dose?

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Há algumas semanas o New England Journal of Medicine publicou um estudo inglês (1) que analisa o declínio da eficácia da vacina contra a covid-19 (tanto para a doença leve quanto para internações e óbitos) após a segunda dose.

Em países como o Brasil, que já trabalham com a dose de reforço, esse tipo de estudo pode contribuir para formatação de estudos com reforços periódicos, a fim de balizar as políticas de saúde de forma consistente. Foram observados os resultados de pessoas vacinadas com Pfizer BioNTech e com AstraZeneca. O estudo leva em consideração alterações quanto às variantes Alfa e Delta, mas não envolve a mais nova variante de preocupação, a Ômicron.

Como resultado, sugere que:

  • Vacinação com Pfizer BioNTech
    Pico de imunização nas primeiras semanas após a aplicação da segunda dose e queda para 66,3% após 20 semanas
  • Vacinação com AstraZeneca
    Pico de imunização nas primeiras semanas após a aplicação da segunda dose e queda para 44,3% após 20 semanas

Existem alguns pontos importantes e que devem ser considerados:

– O declínio da eficácia da vacina é maior em pessoas com 65 anos ou mais do que naquelas entre 40 e 64 anos (como pessoas abaixo de 40 anos foram vacinadas mais tarde, o estudo não conseguiu traçar o comparativo).

– A eficácia para combater internações teve redução menos significativa após 20 semanas, caindo para 80% com a AstraZeneca e para apenas 91,7% com Pfizer BioNTech.

– Contra óbito, a eficácia caiu para apenas 84,8% com AstraZeneca e para apenas 91,9% com Pfizer BioNTech.

– As vacinas de mRNA (como a Pfizer BioNTech) apresentaram maior eficácia em várias bases comparativas: contra desfechos graves em comparação com infecção sintomática; contra a variante alfa em comparação com a delta; em pessoas mais jovens em comparação com mais velhas.

De forma geral, o estudo sugere redução da proteção contra infecção sintomática a partir de 10 semanas após o recebimento da segunda dose. Já contra hospitalizações, o nível de proteção se manteve elevado por pelo menos 20 semanas. Aponta, também, que esses resultados coincidem com os obtidos em estudos recentes conduzidos em Israel e no Qatar. Importante reforçar que a pesquisa foi realizada antes do surgimento da variante Ômicron, notadamente mais transmissível do que as que estavam em circulação anteriormente.

De acordo com Lucas Zambon, Diretor Científico do IBSP, “estas informações nos sugerem que pode haver benefício com doses de reforço vacinal principalmente nos grupos de maior risco, de forma periódica, algo que precisa de validação em estudos específicos para responder esta questão”. Na visão do especialista, isso é extremamente importante em um cenário no qual a estratégia de reforço já está vigente em muitos locais. “Ainda, é interessante notar que a proteção contra formas mais graves da doença sofre menor declínio com o tempo, o que é um ponto positivo considerando o cenário de alta demanda imposto pela pandemia”, completa.

Referências:

(1) Duration of Protection against Mild and Severe Disease by Covid-19 Vaccines

 

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