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Valorizando a enfermagem – Estudo aponta desafios e sugere necessidade de investimentos nas equipes

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As equipes de enfermagem são indispensáveis ao bom atendimento hospitalar e além do papel assistencial, assumem, muitas vezes, posições de liderança, tendo de desempenhar inúmeras funções gerenciais e administrativas. Diante desse cenário, como os sistemas de saúde estão trabalhando para valorizar a atuação desses profissionais?

Estudo qualitativo (1) conduzido na Austrália entrevistou 39 enfermeiros e gerentes de unidades de obstetrícia atuantes em quatro hospitais locais (que, juntos, somam cerca de mil leitos) a fim de compreender quais eram os principais desafios impostos pelo sistema e quanto à influência sobre outras pessoas, sendo que as perguntas estavam relacionadas tanto à atuação quanto às perspectivas de liderança.

Importante lembrar que a literatura reforça uma associação direta entre uma boa percepção sobre o ambiente de trabalho e a qualidade do cuidado, ou seja, enfermeiros que se sentem motivados, tranquilos e têm autonomia para desempenhar suas funções, tendem a prestar um melhor atendimento.

Os desafios do sistema, segmentados em três temáticas, mais prevalentes foram:

  1. Desafios estruturais
  • Déficits institucionais
  • Infraestrutura financeira e física inadequadas
  • Estresse nas relações entre a equipe e a gestão
  • Suporte inadequado de outros departamentos
  • Falta de apoio por parte da gestão e direção do hospital
  • Falta de inclusão da enfermagem nos processos para tomada de decisão
  1. Escopo de trabalho
  • Falta de preparo e capacitação para desempenhar as atividades inerentes à função
  • Baixa autoconfiança resultante da falta de preparo
  • Falta de plano de carreira
  1. Funções gerenciais e administrativas
  • Mais tempo despendido com funções administrativas do que clínicas
  • Dificuldades no relacionamento entre as equipes
  • Dificuldade em delegar tarefas

Já os desafios quanto à influência sobre outras pessoas também foram segmentadas e as respostas mais frequentes foram:

  1. Liderança
  • Ser um líder acessível
  • Liderar pelo exemplo e assumir a responsabilidade de influenciar o comportamento da equipe
  • Construir uma equipe funcional capaz de cumprir as metas e reunir habilidades complementares
  • Criar uma boa interação com a equipe, tratando todos com respeito e de maneira equitativa e transparente
  • Desenvolver planos de sucessão
  1. Colocar os pacientes em primeiro lugar
  • Colocar sempre o paciente em primeiro lugar independentemente das restrições encontradas
  • Manter interação multidisciplinar baseada na comunicação e na cooperação com outros membros das equipes
  • A segurança do paciente deve ser a prioridade número um
  1. Sacrifícios pessoais
  • Altas cargas horárias
  • Comprometimento da vida pessoal devido a compromissos extras
  • Apesar da enorme carga de trabalho e de responsabilidades, manter a capacidade de ouvir e sentir empatia com os profissionais da equipe

Ainda que esta pesquisa tenha sido conduzida dentro de um cenário bastante particular (enfermeiros de unidades obstétricas na Austrália), com base nas respostas podemos fazer um paralelo com o mercado de trabalho brasileiro da enfermagem. Isso coloca o estudo australiano como um bom norteador na busca por melhorias contínuas quanto aos profissionais de enfermagem nas instituições de saúde.

Como exemplo temos a percepção de que, muitas vezes, falta treinamento para os profissionais que chegam aos hospitais, o que pode impactar negativamente na autoconfiança e gerar um efeito cascata englobando diminuição dos índices de satisfação dos pacientes e da produtividade das equipes.

Outro ponto relevante é que há funções administrativas a serem cumpridas pelos líderes, ou seja, investimento em treinamento gerencial também se faz necessário até para amenizar um dos desafios: essas funções por vezes ocupam mais tempo do que as funções assistenciais. Segundo o estudo, 65% do tempo do profissional de enfermagem está dedicado a atividades de gerenciamento geral.

Por fim, a cultura do auto sacrifício que leva os profissionais da enfermagem a trabalharem muitas horas, impactando a vida pessoal, também traz reflexos de esgotamento, insatisfação e presenteísmo e a percepção de que de fato assumir o papel de liderança vai gerar um aumento na jornada pode desencorajar os profissionais a buscarem essa posição.

Por fim, a pesquisa traça um panorama da vivência dos enfermeiros quanto à sua atuação tanto assistencial, quanto gerencial, podendo embasar projetos de melhoria para que as instituições construam um ambiente de trabalho saudável e eficiente.

Referências:

(1) Valuing nurse and midwifery unit managers’ voices: a qualitative approach

 

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