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Medicação pediátrica – Desafios e alternativas para garantir a adesão

Medicação pediátrica – Desafios e alternativas para garantir a adesão
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Guia traz insights importantes sobre como prescrever para crianças

A prescrição medicamentosa para crianças é desafiadora e exige uma série de cuidados extras para a garantia da adesão ao tratamento, já que pacientes pediátricos podem apresentar dificuldades quanto à aceitação na administração. Artigo publicado pela Australian Prescriber traz um guia prático com sugestões para vencer os principais entraves.

O documento sugere três conselhos principais para quem prescreve para este público:

  • Reduzir a frequência da dosagem sempre que possível;
  • Optar por medicamentos com sabores menos agressivos;
  • Buscar vias alternativas de medicação em caso de pacientes pediátricos intolerantes a fluidos orais.

Além dos conselhos, o texto traz algumas informações úteis e que merecem destaque. Confira as orientações do documento abaixo:

Formulação

A escolha da fórmula deve envolver fatores como idade, capacidade de deglutição e facilidade de administração. Medicamentos líquidos orais são mais fáceis de engolir e permitem uma dosagem mais flexível, podendo ser adequada ao peso. Misturar com outros líquidos pode mascarar o cheiro e o gosto, facilitando a administração. Paralelamente, os medicamentos líquidos estão mais suscetíveis a erros de dosagem; podem conter corantes, solventes e conservantes não adequados às crianças; e costumeiramente contém açúcar, o que pode prejudicar a saúde dental.

Medicamentos sólidos também trazem vantagens e desvantagens. Os comprimidos servem apenas para crianças com capacidade de engoli-los, habilidade que independe da idade e deve ser aprendida com o passar do tempo. Além disso, têm uma dose mais rígida que poucas vezes pode ser adaptada ao peso. Aqueles de liberação imediata, podem ser mastigados, esmagados ou cortados para facilitar a administração. Porém, quando há esse tipo de manipulação, pode ocorrer perda de dose. Já os comprimidos de liberação modificada devem ser engolidos inteiros, nunca macerados ou picados, pois a ingestão da dose de uma única vez (o que ocorre com a fragmentação) pode ser tóxica.

Ainda entre as medicações sólidas há as cápsulas, que devem ser engolidas inteiras. Porém, quando o conteúdo é sólido, podem ser abertas para diluição ou mistura em alimentos e bebidas; quando líquido, podem ser mastigadas. Os comprimidos orodispersíveis, quando prescritos para crianças, podem ser dispersos em líquidos antes da administração, facilitando a ingestão.

Gosto

Um dos grandes desafios na hora da administração de medicamentos em crianças está no paladar. O guia traz sugestões de como mascarar o gosto forte da medicação, lembrando que sabores muito agradáveis para adultos – como hortelã – podem não ser bem tolerados por crianças. Indica o tipo ideal de mistura para cada sabor e sugere que, de forma prática, qualquer medicamento pode ter o gosto mascarado com manteiga de amendoim, geleia, mel e sorvete.

Já o retrogosto é mais difícil de disfarçar e a melhor forma de evitá-lo é, na hora da administração, tentar dispensar o medicamento mais ao fundo da boca, perto da bochecha, evitando as áreas da língua.

Lucas Zambon, diretor científico do IBSP, lembra que o documento é importante como guia, mas existem desafios práticos como, por exemplo, lembrar de cada detalhe para cada tipo de medicamento. “Em ambientes mais complexos, não tenho dúvidas de que um farmacêutico clínico seria peça fundamental para apoiar nas orientações e adaptações que podem ser feitas para crianças. Devemos incentivar a participação deste profissional para atingirmos um grau mais alto de segurança do paciente pediátrico quanto à administração de medicamentos”, diz.

Referências:

 

(1) Administration of medicines to children: a practical guide

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