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LASOS – Estudo sugere que mortalidade cirúrgica na América Latina chega a 3,8%

LASOS – Estudo sugere que mortalidade cirúrgica na América Latina chega a 3,8%
Mortalidade
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Percentual pode ser até 10 vezes maior do que o identificado em países de alta renda

Anualmente, aproximadamente 310 milhões de pacientes são submetidos a procedimentos cirúrgicos em todo o mundo. As complicações pós-operatórias estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade a longo prazo, sendo responsáveis por uma média de 4,2 milhões de óbitos nos 30 dias subsequentes à cirurgia. Diante desse cenário, a implementação de estratégias para mitigar riscos e melhorar desfechos clínicos torna-se essencial.

A distribuição dessas mortes revela desigualdades significativas na assistência cirúrgica global. Estima-se que 50% dessas mais de 4 milhões de mortes pós-operatórias ocorram em países de baixa e média renda, onde quase 5 bilhões de pessoas não têm acesso a cirurgias seguras. Compreender essas disparidades é fundamental para desenvolver intervenções eficazes e direcionadas à realidade dos diferentes sistemas de saúde.

LASOS e os achados sobre desfechos cirúrgicos

Com o objetivo de fornecer dados detalhados sobre complicações pós-operatórias e mortalidade cirúrgica na América Latina, a Queen Mary University e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP conduziram o (1) Latin American Surgical Outcomes Study (LASOS), um estudo de coorte prospectivo, multicêntrico e internacional.

A pesquisa analisou mais de 22 mil pacientes adultos submetidos a cirurgias eletivas ou de emergência com necessidade de internação em 17 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Os principais desfechos avaliados foram:

  • Complicações pós-operatórias hospitalares
  • Mortalidade hospitalar por todas as causas
  • Tempo de internação pós-cirurgia
  • Admissão em UTI dentro de 30 dias após o procedimento

Os achados do estudo são alarmantes: a taxa de mortalidade cirúrgica na América Latina é de 3,8%, um percentual até 10 vezes superior ao de países desenvolvidos.

Segundo a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, professora titular da FMUSP que redigiu um artigo para o jornal (2) O Globo, um dos aspectos mais preocupantes identificados no LASOS é o fato de que 38% dos pacientes que evoluíram a óbito nos 30 dias pós-operatórios não passaram por uma unidade de terapia intensiva (UTI). Esse dado sugere falhas nos protocolos de acompanhamento e suporte pós-operatório, indicando possíveis lacunas na vigilância e no manejo de complicações críticas.

Outros fatores apontados como contribuintes para a elevada mortalidade na região incluem:

  • Falta de implementação de protocolos de segurança cirúrgica
  • Deficiências na avaliação pré-operatória e estratificação de risco cirúrgico
  • Infraestrutura hospitalar inadequada
  • Escassez de profissionais de saúde altamente especializados
  • Falta de implementação de protocolos de segurança cirúrgica

Intervenções para melhoria da segurança cirúrgica

Para reduzir as taxas de complicações e mortalidade pós-operatória, é essencial adotar estratégias baseadas em boas práticas de segurança do paciente, tais como:

  • Implementação de checklists cirúrgicos, garantindo o cumprimento de etapas críticas antes, durante e após o procedimento
  • Monitoramento contínuo dos indicadores institucionais para identificar padrões e oportunidades de melhoria
  • Capacitação e atualização das equipes cirúrgicas e assistenciais, garantindo aderência a protocolos baseados em evidências
  • Adoção de estratégias organizacionais para a gestão de riscos, incluindo aprimoramento do fluxo de triagem para UTI e otimização da avaliação perioperatória

Ao investir em práticas padronizadas e certificações de qualidade, as instituições hospitalares não apenas elevam a segurança do paciente, mas também contribuem para a redução dos índices de morbimortalidade cirúrgica, promovendo um cuidado mais seguro e eficaz.

Referências:

(1) Latin American surgical outcomes study: study protocol for a multicentre international observational cohort study of patient outcomes after surgery in Latin American countries

(2) Mais segurança para as cirurgias no Brasil e na América Latina

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