Percentual pode ser até 10 vezes maior do que o identificado em países de alta renda
Anualmente, aproximadamente 310 milhões de pacientes são submetidos a procedimentos cirúrgicos em todo o mundo. As complicações pós-operatórias estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade a longo prazo, sendo responsáveis por uma média de 4,2 milhões de óbitos nos 30 dias subsequentes à cirurgia. Diante desse cenário, a implementação de estratégias para mitigar riscos e melhorar desfechos clínicos torna-se essencial.
A distribuição dessas mortes revela desigualdades significativas na assistência cirúrgica global. Estima-se que 50% dessas mais de 4 milhões de mortes pós-operatórias ocorram em países de baixa e média renda, onde quase 5 bilhões de pessoas não têm acesso a cirurgias seguras. Compreender essas disparidades é fundamental para desenvolver intervenções eficazes e direcionadas à realidade dos diferentes sistemas de saúde.
LASOS e os achados sobre desfechos cirúrgicos
Com o objetivo de fornecer dados detalhados sobre complicações pós-operatórias e mortalidade cirúrgica na América Latina, a Queen Mary University e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP conduziram o (1) Latin American Surgical Outcomes Study (LASOS), um estudo de coorte prospectivo, multicêntrico e internacional.
A pesquisa analisou mais de 22 mil pacientes adultos submetidos a cirurgias eletivas ou de emergência com necessidade de internação em 17 países latino-americanos, incluindo o Brasil. Os principais desfechos avaliados foram:
- Complicações pós-operatórias hospitalares
- Mortalidade hospitalar por todas as causas
- Tempo de internação pós-cirurgia
- Admissão em UTI dentro de 30 dias após o procedimento
Os achados do estudo são alarmantes: a taxa de mortalidade cirúrgica na América Latina é de 3,8%, um percentual até 10 vezes superior ao de países desenvolvidos.
Segundo a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, professora titular da FMUSP que redigiu um artigo para o jornal (2) O Globo, um dos aspectos mais preocupantes identificados no LASOS é o fato de que 38% dos pacientes que evoluíram a óbito nos 30 dias pós-operatórios não passaram por uma unidade de terapia intensiva (UTI). Esse dado sugere falhas nos protocolos de acompanhamento e suporte pós-operatório, indicando possíveis lacunas na vigilância e no manejo de complicações críticas.
Outros fatores apontados como contribuintes para a elevada mortalidade na região incluem:
- Falta de implementação de protocolos de segurança cirúrgica
- Deficiências na avaliação pré-operatória e estratificação de risco cirúrgico
- Infraestrutura hospitalar inadequada
- Escassez de profissionais de saúde altamente especializados
- Falta de implementação de protocolos de segurança cirúrgica
Intervenções para melhoria da segurança cirúrgica
Para reduzir as taxas de complicações e mortalidade pós-operatória, é essencial adotar estratégias baseadas em boas práticas de segurança do paciente, tais como:
- Implementação de checklists cirúrgicos, garantindo o cumprimento de etapas críticas antes, durante e após o procedimento
- Monitoramento contínuo dos indicadores institucionais para identificar padrões e oportunidades de melhoria
- Capacitação e atualização das equipes cirúrgicas e assistenciais, garantindo aderência a protocolos baseados em evidências
- Adoção de estratégias organizacionais para a gestão de riscos, incluindo aprimoramento do fluxo de triagem para UTI e otimização da avaliação perioperatória
Ao investir em práticas padronizadas e certificações de qualidade, as instituições hospitalares não apenas elevam a segurança do paciente, mas também contribuem para a redução dos índices de morbimortalidade cirúrgica, promovendo um cuidado mais seguro e eficaz.
Referências:
(2) Mais segurança para as cirurgias no Brasil e na América Latina
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