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Sistema de notificação fraco dificulta investigação de surtos de caxumba

Sistema de notificação fraco dificulta investigação de surtos de caxumba
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Médico explica que falta de vacinação e fluxo migratório podem ser causas de aumento nos casos

 

Algumas cidades do estado de São Paulo e outra no Sul do país registraram surtos de caxumba em 2015 e 2016. A doença, para a qual existe imunização gratuita disponível e estava praticamente erradicada, voltou com força nesses locais e os casos podem ficar sem explicação por conta do sistema fraco de notificação aplicado no país.

De acordo com Dr. Paulo Olzon, Infectologista e Clínico Geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a primeira medida que deveria ser tomada para investigar os casos e controlar a doença seria o cadastro detalhado dos doentes, o que não acontece no Brasil. “A primeira medida que deveria ser tomada é investigar. Hoje em dia, praticamente não se vê mais caxumba e, se essa doença começa a aparecer, existem algumas possibilidades que precisam ser consideradas. Essa não é uma doença de notificação obrigatória atualmente, mas deveria ser, pois perde-se a oportunidade de investigar no início”, opina Olzon. “Aqui no Brasil não é feito um cadastro detalhado como em países de primeiro mundo. Então, cria-se um pânico que é desnecessário, já que os casos são analisados sem profundidade”, completa.

Uma das causas possíveis apontadas pelo médico é a falta de imunização, que é defendida por alguns profissionais. “Existem algumas linhas de medicina, como a homeopatia por exemplo, que não recomenda a vacinação e tem uma parcela grande da população que segue essas premissas”, afirma. “O sistema de vacinação é eficiente. Admitir que há uma falha vacinal é a última coisa que se faz. Primeiro é preciso afastar todas as outras possibilidades”, fala Olzon.

De acordo com o calendário nacional de vacinação do Ministério da Saúde, três doses da vacina tríplice viral são disponibilizadas para cada indivíduo. Elas devem ser aplicadas com um ano e entre 11 e 19 anos, podendo também ser aplicada em dose única entre 20 e 59 anos.

Outro problema que pode causar surtos de doenças já erradicadas como é o caso da caxumba é o grande fluxo migratório do país, principalmente em estados em que há mais entrada e saída de pessoas, como São Paulo. “Pode haver pessoas que vêm de lugares onde não se aplica a vacina, por exemplo. E é por isso que deveria ser traçado um perfil de todos aqueles que apresentam o quadro”, diz Olzon.

Sintomas e complicações
Os sintomas da fase inicial são semelhantes aos de outras doenças infecciosas em que o paciente apresenta febre, dor no corpo, mal-estar, cansaço e sonolência. Mas o diagnóstico começa a ser traçado quando há um comprometimento das glândulas salivares, que ficam inchadas, mais comumente a parótida.

“Entre as complicações da doença estão a ooforite (inflamação dos ovários) e a orquite (inflamação nos testículos). Além disso pode provocar pancreatite e uma forma benigna de meningite, que muitas vezes nem apresenta sintomas”, alerta o profissional. “Nesse caso, só um exame com de líquor é capaz de detectar”, explica. “Pode provocar também alteração auditiva, mas é uma complicação rara”, completa.

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