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Transfusão de sangue: como melhorar a segurança do paciente e reduzir desperdícios

Transfusão de sangue: como melhorar a segurança do paciente e reduzir desperdícios
Transfusão de sangue: como melhorar a segurança do paciente e reduzir desperdícios
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Com iniciativas de educação, protocolos, auditorias e diretrizes baseadas em evidência, Canadá otimiza serviço de transfusão de sangue e hemoderivados 

Há muito a se debater quando o assunto é a segurança do paciente durante a transfusão de sangue, que pode acontecer de forma total ou apenas de um de seus derivados (glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma ou glóbulos brancos).  

Segundo dados da literatura, de 19% a 50% das transfusões de glóbulos vermelhos, por exemplo, são feitas de forma inadequada ou desnecessária, o que gera desperdício de um recurso que muitas vezes está em falta e pode acarretar danos. Para reverter esse cenário e garantir o melhor aproveitamento desse modelo de terapia, a Choose Wisely Canada e a Canadian Blood Services lançaram, em 2020, o “Using Blood Wisely – UBW”, programa composto por protocolos, ferramentas de auditoria, materiais educativos e recomendações baseadas em evidências.  

Posteriormente, para avaliar a eficácia do programa, pesquisadores canadenses (1) compilaram dados de 229 hospitais que aderiram à estratégia entre novembro de 2020 e novembro de 2022. Juntos, esses hospitais são responsáveis por 72% de todo o sangue que é doado e transfundido no país. 

A estratégia consistiu em solicitar que, durante o mês, pelo menos 50 transfusões de hemácias de cada hospital fossem auditadas com uma ferramenta padronizada para medição de dois parâmetros principais que deveriam ser alcançados e medidos ao longo de quatro meses:  

  • 65% das transfusões de glóbulos vermelhos deveriam utilizar apenas uma unidade do hemoderivado  
  • 80% das transfusões de glóbulos vermelhos deveriam contar com um teste de hemoglobina pré-transfusional 

Alguns apontamentos importantes: 81% dos hospitais participantes já tinham diretrizes para transfusão de hemácias no início do estudo e houve queda esperada no engajamento do estudo ao longo do tempo. 

Entre os hospitais certificados como “Hospitais UBW”, ou seja, que tinham adotado o programa e sustentado os parâmetros de referência durante pelo menos quatro meses, é interessante enfatizar que, nas auditorias de base, 87% cumpriram o valor de referência de transfusão de somente uma unidade e 84% realizaram teste de hemoglobina pré-transfusional dentro do limite exigido. Em contrapartida, nos hospitais que não alcançaram o título, as porcentagens foram, respectivamente, 44% e 64%. 

Entre as intervenções adotadas pelos “Hospitais UBW” estavam implementação de diretrizes, educação, triagem de pedidos de transfusão, auditoria, feedback e definição de alternativas à transfusão. 

Com esses resultados declarados, os pesquisadores sugerem que o Programa UBW superou as expectativas, mostrando-se como uma iniciativa viável para envolver os serviços de saúde em estratégias eficientes de melhoria. Além disso, o estudo frisa que a adesão foi bastante positiva mesmo sem incentivos financeiros e que um dos elementos-chave para esse sucesso foi a disponibilização de todos os materiais educativos para que cada hospital seguisse com seus próprios programas de treinamento, o que concede mais independência para que o serviço defina a rotina que melhor cabe dentro de sua dinâmica. 

Segurança da transfusão de sangue: Canadá e Brasil 

O programa “Using Blood Wisely” conta com um portal na Internet (2) para detalhamento da iniciativa. Ao acessar www.usingbloodwisely.ca é possível assistir a diversos webinars transmitidos ao longo dos últimos anos e está disponível, também, detalhes sobre como os especialistas sugerem que sejam feitas as auditorias. Aos interessados, inclusive, é possível acessar a ferramenta para auditoria que vem sendo utilizada no país. 

No Brasil, a legislação (3) sobre a utilização de sangue humano pelas instituições de saúde conta com regulamentos federais, como a Lei nº 10.205/2001 que trata da coleta, processamento, estocagem, distribuição e aplicação do sangue, seus componentes e derivados e os Decretos nº 3.990 e 5.045, que regulamentam artigos específicos da lei anteriormente citada; regulamentos técnicos específicos para hemoterapia e hematologia; além de notas técnicas, informativas e regulamentos sanitários da Anvisa. 

Referências: 

(1) Using Blood Wisely: lessons learnt in establishing a national implementation programme to reduce inappropriate red blood cell transfusion 

2) Using Blood Wisely – Portal na Internet 

3) Legislação brasileira – Sangue 

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