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Tratamento mais curto contra celulite infecciosa resulta em recidiva em menor tempo

Tratamento mais curto contra celulite infecciosa resulta em recidiva em menor tempo
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Após a cura inicial sem recidiva, as taxas de recaída após 90 dias foram maiores no grupo de seis dias do que no grupo de 12 dias

Tratamentos de seis dias com antibióticos Flucloxacilina aplicados de maneira intravenosa contra celulite infecciosa resultaram em maiores taxas de recaídas, após 90 dias, do que os tratamentos de 12 dias, de acordo com estudo apresentado no 28º Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, em abril de 2018, em Madri (Espanha).

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“A celulite é uma infecção da pele que em casos extremos pode causar risco de morte aos pacientes e é frequentemente causada por bactérias como Staphylococcus ou Streptococcus”, comenta a Dra. Sylvia Lemos Hinrichsen, Professora Titular do Departamento de Medicina Tropical da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Consultora em Segurança do Paciente e Controle de Infecções-Stewardship.

A duração recomendada do tratamento com antibiótico é de 10 a 14 dias. Como muitos tratamentos de terapia antibiótica contra infecção vêm sendo encurtados nos últimos anos, Dr. Duncan Rowan Cranendonk e sua equipe esperavam fazer o mesmo no combate à celulite. Por isso, eles compararam a administração durante seis e 12 dias de tratamento em pacientes hospitalizados com celulite infecciosa.

O desfecho primário para os pacientes que participaram deste estudo foi semelhante, com cura entre os dias 14º e 28º dia de tratamento. No grupo de 12 dias, 35 pacientes, ou 49,3%, foram curados sem recidivas até o dia 28 do tratamento. No grupo de seis dias com 35 pacientes, ou 50,7%, o resultado foi semelhante.

O estudo mostrou ainda que o desfecho do tratamento também foi semelhante em curto prazo, com 53 pacientes, ou 74,6%, com tratamento maior, curados sem recaída após 28 dias, em comparação com 49 pacientes, ou 71%, tratados em menor tempo.

No entanto, os resultados da taxa de recaída após 90 dias mostraram diferenças na eficácia da duração do tratamento.

“Após a cura inicial sem recidiva, as taxas de recaída após 90 dias foram maiores no grupo de seis dias do que no grupo de 12 dias”, disse Cranendonk. “Pacientes com menor tempo de terapia mostraram recaídas significativamente mais rápidas e mais frequentes no 90º dia”.

Cranendonk alerta que “resultados de curto prazo não são tudo”. O doutor afirmou que os médicos devem considerar o desenvolvimento de uma medida melhor para o que significa ser ‘curado’. “A celulite, por exemplo, não tem resultados sólidos como uma cura microbiológica, e o veredicto ‘curado’ ainda é feito por médicos, o que o torna sujeito a variações interpessoais”, argumenta.

Um pequeno ensaio anterior não encontrou diferenças no resultado entre duração da terapia curta e padrão quando se observam para pacientes ambulatoriais saudáveis. “Nosso julgamento é exatamente o oposto. Nós tivemos pacientes idosos hospitalizados com um monte de comorbidades. Esta é a população que os médicos provavelmente tratarão, mas infelizmente, a terapia curta não pode ser aplicada a ela.” O próximo passo seria investigar quais os pacientes se beneficiariam de uma duração reduzida da terapia. Cranendonk sugere que isso pode ser o caso de pacientes idosos ambulatoriais com comorbidade que não estejam gravemente doentes.

Estudo
Os pesquisadores inscreveram 151 pacientes adultos em 11 hospitais holandeses, de forma aleatória entre 26 de agosto de 2014 e 29 de junho de 2017.

Nem os pesquisadores nem os pacientes sabiam quais pacientes receberam a medicação ativa ou o placebo, após o sexto dia. Pacientes que foram tratados com sucesso por seis dias e que não tinham febre e ou maior gravidade da celulite foram inscritos no estudo.

Setenta e sete pacientes foram alocados para receber mais seis dias de flucloxacilina intravenosa, enquanto o restante, 74 pacientes, recebeu o placebo. A idade média dos pacientes neste estudo foi de 63 anos e dois terços eram homens. Um quarto dos participantes era diabético, grupo que tem maior risco de ter celulite do pé.

Cautela
A análise foi interrompida precocemente devido ao lento recrutamento. Por isso, Cranendonk adverte que os resultados devem ser interpretados com cautela porque os pesquisadores não alcançaram tamanho de amostra pretendido.

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