Revisões internacionais e estudo brasileiro apontam que a adoção de padrões de acreditação melhora desempenho, produtividade e resultados clínicos
A acreditação hospitalar tem sido cada vez mais reconhecida como uma estratégia relevante para qualificar a assistência em saúde. Mais do que um selo ou certificação, trata-se de um instrumento estruturado de avaliação externa que orienta a adoção de padrões, processos e práticas voltados à melhoria contínua. Evidências reforçam que, quando bem implementada, a acreditação contribui diretamente para a segurança do paciente e o desempenho institucional.
Uma revisão sistemática intitulada “The impact of hospital accreditation on the quality of healthcare: a systematic literature review” analisou 76 estudos conduzidos em diferentes países e contextos hospitalares. O objetivo foi avaliar, de forma abrangente, os impactos da acreditação na qualidade dos serviços de saúde.
Os resultados indicam que há uma tendência consistente de efeitos positivos associados à acreditação. Mais de 55% dos estudos incluídos demonstraram impacto favorável, especialmente em aspectos relacionados a:
- melhoria da cultura organizacional e da segurança;
- aprimoramento de processos assistenciais;
- aumento da eficiência hospitalar;
- redução do tempo de internação;
- melhoria de indicadores de desempenho.
Além disso, a conformidade com padrões de acreditação mostrou benefícios plausíveis na estruturação dos serviços e na qualidade do cuidado prestado. A revisão destaca que a acreditação atua como uma intervenção de knowledge translation, ou seja, um mecanismo que traduz diretrizes e evidências em práticas concretas no cotidiano assistencial.
Embora alguns estudos apontem efeitos neutros ou inconclusivos em desfechos como satisfação do paciente e impacto econômico direto, a análise global reforça que as vantagens da acreditação superam suas desvantagens, especialmente quando integrada a outras políticas de qualidade.
Segurança do paciente
Outro ponto relevante destacado pela revisão é o papel da acreditação na consolidação da segurança do paciente como atributo sistêmico. Ao promover padronização, protocolos e monitoramento contínuo, a acreditação contribui para reduzir variabilidade assistencial e fortalecer barreiras de segurança.
Nesse sentido, a lógica da acreditação se aproxima de outros instrumentos estruturantes, como a normalização técnica em diferentes setores. Assim como normas estabelecem critérios de qualidade, segurança e desempenho na indústria, os padrões de acreditação cumprem função semelhante na saúde, garantindo maior confiabilidade dos processos e proteção ao paciente.
No contexto nacional, um estudo qualitativo conduzido em hospitais do estado de São Paulo reforça e aproxima essas evidências da realidade brasileira. A pesquisa, baseada em múltiplos estudos de caso, analisou como a acreditação influencia a adoção de boas práticas nos serviços de saúde. Os resultados são consistentes com a literatura internacional e apontam que:
- a acreditação estimula a padronização de processos e o mapeamento de fluxos assistenciais;
- há aumento da produtividade institucional;
- ocorre melhoria na qualidade do atendimento;
- a segurança do paciente se fortalece com a estruturação dos processos;
- a satisfação dos pacientes tende a aumentar;
- a acreditação agrega valor à instituição.
O estudo também destaca o papel central da liderança e do apoio da alta gestão para o sucesso das iniciativas de qualidade. A disseminação de boas práticas, o uso de indicadores e o investimento em treinamento são elementos-chave para consolidar os ganhos obtidos com a acreditação.
Importante destacar que a literatura coloca a acreditação como estratégia, e não como fim. Assim, ela não deve ser vista como uma solução isolada. Os próprios autores da revisão sistemática reforçam que ela deve atuar de forma complementar a outras estratégias de melhoria da qualidade.
Acreditação ONA
No Brasil, a acreditação ganha contornos específicos em diferentes aspectos, a exemplo da metodologia da Organização Nacional de Acreditação (ONA), um sistema estruturado de avaliação que promove qualidade e segurança assistencial por meio de padrões reconhecidos internacionalmente. Diferente de processos fiscalizatórios, a acreditação ONA é voluntária e funciona como um modelo de educação continuada, estimulando a melhoria progressiva das organizações de saúde.
A metodologia é organizada em três níveis (Acreditado, Acreditado Pleno e Acreditado com Excelência), permitindo avaliar desde a conformidade com padrões básicos até a maturidade institucional e a cultura de melhoria contínua. Essa lógica progressiva fortalece a gestão por processos, a integração entre áreas e a segurança do paciente ao longo de toda a jornada assistencial.
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Referências:
(1) The impact of hospital accreditation on the quality of healthcare: a systematic literature review
(2) Acreditação hospitalar e seus impactos nas boas práticas em serviços da saúde
(3) Jornada de Acreditação ONA
(4) IBSP Conecta – Curso Metodologia ONA – 2026-2029
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